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Jovens do Grupo Salineira são premiados em concurso literário na Academia Brasileira de Letras

Para encerrar com chave de ouro a atual turma de jovens aprendizes do Grupo Salineira, dois adolescentes que participam do projeto na empresa foram premiados no VII Concurso Literário Arnaldo Niskier, realizado pelo CIEE RJ (Centro de Integração Empresa Escola) e apoiado pela Fundação Roberto Marinho.


A cerimônia de entrega da premiação foi realizada na última terça-feira (10/12), na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, e contou com a presença de jovens que foram selecionados para a fase final e dos representantes dos Centros de Integração Empresa Escola.


Dentre os mais de 100 selecionados para a fase final da premiação, estavam os jovens Ana Clara Tavares – que escreveu o texto “De 0 a X, um Eterno Aprendiz” e, com a 6ª colocação, recebeu uma menção honrosa e um vale-presente na livraria Saraiva – e Osmar Alves, que escreveu o texto “O Eterno Aprendiz”, ficou em 3º lugar e recebeu, como prêmio, um kindle (leitor digital de livros).


Mais de 1.500 jovens de todo o Brasil participaram do concurso, que teve como tema “A Beleza de Ser Um Eterno Aprendiz”. Desse total, 500 textos foram pré-selecionados e, depois, 100 foram selecionados para a Banca de Avaliações.





Confira, abaixo, os textos da Ana Clara Tavares e do Osmar Alves:


DE ZERO A X, UM ETERNO APRENDIZ

Ana Clara Tavares


Zero ano: A beleza do novo. Surge uma mãe e um pai, avós, uma família. Muitas perguntas. Para buscar as respostas? Viver, aprender, errar, acertar, errar de novo. Mas o que fica são aprendizados, para quem sabe, uma próxima criança.


Um ano: A beleza do falar e andar. Sílabas que surgem sem sentido algum. Preocupações com as quedas dos primeiros passos. Aprendizado. Quem aqui com um ano de idade já corria como Usain Bolt ou falava expressivamente como Martin Luther King? Evolução.


Cinco anos: A beleza das perguntas. Surgem os questionamentos. Como os bebês nascem? Por que não? Eu sei fazer sozinho... Um aprendiz nato. Cinco anos? Idade de aprender, errar, se machucar, brincar e usar muito spray antisséptico.


Dez anos: A beleza da mudança. Criança, pré adolescente, criança grande? Aqui fica a beleza de se descobrir o quanto, a cada dia que passa, você não é mais o mesmo. Muda a aparência física, os gostos, e papai e mamãe viram chatos. Aprendizado...? Talvez daqui a vinte anos quando vier o arrependimento de que podia ter valorizado mais.


Quinze anos: A beleza de ser dono de si, ou melhor, achar. As responsabilidades começam a bater na porta. Como que lido com isso? E agora? Escolhas erradas. Ufa!... Acertei! Agora vai. Errado de novo? Tudo bem, só tenho quinze anos, sou um aprendiz.


Vinte anos: A beleza da dúvida. E agora, José? Vinte anos... Amigos casando, outros estudando, uns perdidos no mundo, mas todos aprendendo. Será que estou correndo atrás de todos? A vida não é sobre quem vai ganhar ou perder, e sim quem até aqui aprendeu com os erros e com isso busca constantemente a sua felicidade.


Trinta anos: A beleza da maturidade. Aqui tudo o que foi aprendido durante todos esses anos começa a fazer sentido. Pessoas, objetos e algumas situações já não valem mais a pena a persistência. Na teoria é até um discurso lindo, na prática, mais aprendizados. Poupe-me, poupe-se, poupe-nos.


Quarenta anos: A beleza da essência. Então chegamos no famoso clichê, o começo da fase dos “enta”. Nesse momento a soma de toda a trajetória, tudo que aprendeu, está sendo colocado em prática. Ops… Frustrações. Entender o passado para construir o futuro. Sempre um aprendiz.


Cinquenta anos: A beleza da sabedoria. Aqui chega o meio século vivido. Muitos podem dizer que já aprenderam de tudo e que sabem de tudo. Até parece há trinta e cinco anos, quando se achava o dono da verdade. Errado. A vida há cinquenta anos era diferente. Os costumes, culturas, pensamentos, a política e a economia não são mais os mesmos. Aprender. Voltamos ao mesmo lugar.


Sessenta anos: A beleza da aposentadoria. Finalmente o descanso. Alívio. Mas como uma pessoa acostumada a viver com a rotina diária de trabalho, dinâmica e agitada se vê ociosa? O que fazer? Nova rotina. Novos ciclos. Aprendizado.


Setenta anos: A beleza das histórias. Professores e mestres. Muitas experiências e momentos foram vividos. Aqui não pontuo a aprendizagem deles, e sim das pessoas que têm a oportunidade de aprender com aqueles que já viveram de tudo. Mas… O melhor jeito de aprender é ensinando. Constante aprendizagem.


X anos: A beleza de ser um eterno aprendiz. Até aqui a vida muito ensinou. De zero a x anos sempre teve algo novo para conhecer. Essa é a vida. Ninguém nasce sabendo de tudo e muito menos morre sabendo de tudo. O que seria de nós, seres humanos, sem o frio na barriga do novo? Isso que faz a vida valer a pena, aprender. Porque aprender é saber sempre tirar a beleza das coisas para que daqui a um ou dez anos sermos a melhor versão de nós mesmos.


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O ETERNO APRENDIZ

Osmar Alves


Oi, eu vim do futuro, do passado e do presente. Quem sou eu? Eu sou você! É, você mesmo que está lendo essa carta, mas não estou escrevendo apenas para você, estou escrevendo para todos vocês. E o que eu tenho a dizer é muito importante.


Há milhares de anos, abri meus olhos pela primeira vez, não sabia meu nome, onde estava, quem eu era e nem como me comunicar. Mas sabia que não estava sozinho, havia outros iguais a mim, porém, estavam tão desnorteados quanto eu.


Como estávamos todos juntos, queríamos aprender a nos comunicar, e assim, desenvolvemos um conjunto de sons, que muito mais tarde seria conhecido como linguagem. Com isso, formamos uma aldeia, onde caçávamos animais, aprendemos a “dominar” o fogo e a plantar alimentos. Lembro de sentarmos ao lado da fogueira, em uma noite fria qualquer e observar o céu, olhávamos atentamente para aqueles pequenos pontos brilhantes, tão numerosos quanto os grãos de areia do chão.


Com o passar do tempo, aprendemos novas técnicas de plantio e criação de animais, muitas das vezes, eu e meus familiares íamos para outros lugares, regiões melhores e com mais água. Aprendi a plantar com as mulheres da aldeia e a caçar com os homens, aprendi também, a respeitar os líderes e os deuses.


Após alguns séculos, nossa aldeia não era mais a mesma, havia muitas pessoas indo e vindo de muitos lugares, casas pequenas, grandes e até monumentos estranhos que chamavam de pirâmides. O aprendizado nos permitiu inventar o comércio, construir barcos, palácios, criar um alfabeto e entender melhor o espaço. E o que fazíamos quando não sabíamos explicar algo? Atribuíamos aos deuses e ao sobrenatural, pois sempre tivemos dificuldade de admitir a nossa ignorância.


O desejo de conhecer o desconhecido fizeram surgir impérios gigantescos, sempre em busca de mais poder e mais conhecimento, aprendi que, quem sobrevive não é o mais forte e sim o mais sabido. Por isso que nós, homo sapiens, sobrevivemos, enquanto outras espécies humanas, como os neandertais, foram extintas.


Muita coisa mudou nos últimos milhares de anos, impérios caíram, guerras foram ganhas e perdidas, megacidades foram construídas, máquinas como o trem, carro, avião e o foguete foram inventados, criaram a cura e tratamento para doenças e aprendemos sobre a mente e o cérebro de nossa espécie. No entanto, uma coisa continuou a mesma, intacta, o desejo pelo conhecimento.


A era espacial começou, a vontade de aprender sobre o universo, o tempo e sobre a vida, está mais viva do que nunca. Uma coisa é muito interessante, há milhares de anos quando estava ao redor daquela fogueira, olhando para o espaço, me perguntava o que tinha lá. Hoje, milhares de anos depois, com uma tecnologia que permitiu levar o homem à Lua, satélites ao espaço e a exploração de outros planetas, continuo me fazendo a mesma pergunta: o que tem lá?


Nosso desejo por aprender é tão infinito quanto o universo que estamos tentando conhecer. E aqui estamos nós, um grãozinho de poeira flutuando no infinito espaço, sempre à procura da mesma coisa: aprender.


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